- Acabámos de presenciar a cena mais estranha que possam imaginar. – declarou Kate com entusiasmo quando ela e Klair chegaram ao Salão.

            - Como assim? – perguntou Sophia, cujo nariz já tinha parado de sangrar.

            Então, Klair e Kate contaram o tudo que tinham visto na sala de poções.

            - Curioso – disse Hermione – no braço esquerdo, dizes tu?

            - Sim – confirmou Kate.

            - Não sei o que poderia estar Karkaroff a mostrar ao Snape. – concluiu Hermione.

            - Os feiticeiros não fazem tatuagens, pois não? – perguntou Klair distraidamente.

            - O quê? – perguntou Kelly confusa. – De que é que estás a falar?

            - Tatuagens – repetiu Klair lentamente, como se Kelly fosse uma criança muito pequena – Às vezes os muggles fazem desenhos permanentes na pele com uma agulha.

            Kelly fez um ar enjoado.       

            - Soa-me mediêval. – disse ela.

            - Um bocado – admitiu Klair – Mas naquele sítio em específico, no antebraço, o mais provável é ser uma tatuagem.

            - Então e “ele”? – perguntou Hannah – Quem é “ele”.

            - Para inspirar aquele medo todo no Karkaroff só pode ser o Voldemort ou então um ex-namorado possessivo. – brincou Jenny – O que achas, Harry?

            - Hmm? Sobre o quê? – perguntou Harry, distraído. Na verdade pouco ou nada lhe interessava o que Karkaroff tinha para mostrar ao Snape. Naquele momento tinha problemas maiores, Ron continuava a não lhe falar, tinha uma tarefa inacreditavelmente perigosa já ao virar da esquina, faltava-lhe entregar o trabalho de casa de Adivinhação e ainda não tinha escrito a Sirius. – Tens aí uma pena e um bocado de pergaminho que me emprestes? – perguntou Harry a Jenny, tomando a decisão de escrever ao padrinho imediatamente.

            - Claro… – respondeu ela estendendo-lhe a sua pena e um pedaço de pergaminho rasgado.

            Harry rabiscou algumas frases no pergaminho e, quando acabou, releu-as. Não queria dar demasiada importância ao facto de o seu nome ter saído no Cálice de Fogo, não queria que Sirius ficasse excessivamente preocupado, podia fazer alguma coisa realmente parva como voltar para o país. Harry arrependeu-se também de ter escrito a Sirius no verão a contar-lhe sobre o sonho perturbador que tinha tido e a dor que tinha sentido na cicatriz. Não devia chatear o padrinho com coisas tão insignificantes. Leu novamente a carta antes de subir até à torre das corujas, tentando evitar o olhar curioso de Jenny.

 

 

 

“Sirius,

 Espero que esteja tudo bem contigo e com o Buckbeak, provavelmente a esta altura já sabes que o meu nome saiu do cálice de fogo. Juro-te que não o pus lá. De qualquer maneira, não estou muito preocupado com isso (Harry engoliu em seco, não era costume mentir assim ao padrinho) mas as coisas não me andam a correr muito bem e precisava de desabafar. O Ron não me fala, a rapariga de que gosto não parece muito interessada em mim e parece que quase toda a escola se virou contra mim.

 

PS: Não é preciso voltares ou ficares demasiado preocupado, nunca mais tive sonhos estranhos e provavelmente imaginei a dor na minha cicatriz.”

 

            - Bem – disse Harry – Vou só mandar esta carta ao Sirius e depois vou ter com vocês à sala de Defesa Contra as Artes das Trevas.

            - ‘k – concordou Jenny. – Até já.

            - Uhhh – gozou Kate sentando-se entre Klair e Jenny – O Harry é muito simpático não é, Jenny?

            - Estás a falar de quê? – perguntou Jennifer, sem dar demasiada importância à pergunta.

            - Presumo que esteja a falar da conduta demasiado amigável que tens quando estás com Harry. – esclareceu Klair distraidamente.

            - Não sejam parvas! – protestou Jennifer, já a começar a ficar chateada. – É melhor irmos andando antes que vocês comecem a fazer mais afirmações disparatadas.

            - Afirmações disparatadas?! – exclamou Klair, indignada – Só faltava babares-te para cima do Harry!

            - Pois e eu sou um texugo – disse Jennifer levantando-se e dirigindo-se para a escadaria principal.

            Klair e Kate ficaram a observá-la enquanto ela subia as escadas durante um bocado.

            - Realmente, até consigo ver as semelhanças – disse Kate rindo-se.

            - Vá, anda lá, vamos aturar o Moody.

            Kate e Klair seguiram Jennifer assim como Kelly e Hermione. Subiram as escadarias até ao quinto andar. Havia um grande grupo de alunos tinha-se juntado à porta da sala, Harry já lá estava assim como Jenny. Estavam tão entretidos a conversar que não deram pela chegada das amigas.

            - São ton querridôs – comentou Kelly – Fazem um casal muitô bonito.

            Klair simulou um ataque de vómito debruçando-se atrás de uma armadura.

            -Não te sentes bem, cabeça de esfregão? – perguntou Moody com o olho azul eléctrico a rodopiar de uma forma sinistra.

            - N… Não, estou bem – gaguejou Klair

            - Ainda bem – respondeu ele num grunhido. O barulho emitido pela perna de madeira do professor ecoou nas paredes de pedra, sentou-se numa cadeira que estava no fundo da sala e tirou a perna postiça, expondo a parte superior do membro mutilado. – Então? – perguntou ele perante as caras enojadas dos alunos que tinham ficado à porta da sala – Não tencionam entrar?

            Aos poucos, os alunos começaram a entrar e a sentar-se nos respectivos lugares.

            - Muito bem! – começou Moody bem disposto – Hoje vamos estudar a maldição Imperius.

             Kelly, Jenny e Sophie trocaram olhares. Tinham estado as últimas semanas a estudar as maldições imperdoáveis e sinceramente, elas já estavam a ficar fartas. Klair rapidamente lhes “tomou o gosto” e passou a gostar da matéria mas, para elas, cada aula era pior que a anterior.

            - Hoje, vamos fazer uma coisa diferente – anunciou Moody massajando o joelho. Voltou a colocar a prótese na perna e com um gesto da varinha afastou as mesas e as cadeiras vazias para um canto da sala. – Vou lançar-vos a maldição Imperius e vocês vão tentar resistir.

            Toda a gente olhou para Moody com um olhar de descrença.

            - Oh vá lá. Não sejam tímidos. – disse ele com o olho azul a saltar de excitação – Quem é que quer ir primeiro?

            Olharam todos uns para os outros, ninguém parecia particularmente interessado em ser enfeitiçado pelo velho professor.

            - P… posso ser eu… – ofereceu-se Patrick.

            - Não esperava outra coisa de ti… – disse Moody, a sua boca deformada formou o que parecia ser um sorriso.

            Moody enfeitiçou Patrick e ordenou que ele fizesse uma grande quantidade de exercícios de ginástica inacreditavelmente complexos. Patrick fixou o vazio com os olhos desfocados durante algum tempo, parecia estar a pensar se devia obedecer a Moody. Tinha um sorriso parvo na cara muito incaracterístico. Depois, fez uma coisa curiosa, fez algo entre saltar e ficar no mesmo sítio o que resultou numa violenta queda. Patrick retomou rapidamente ao seu estado sério e levantou-se rapidamente com uma expressão ligeiramente orgulhosa.

            - Viste aquilo? – perguntou ele a Klair quando se voltou a sentar ao pé dela. – Eu resisti!

            - Sim, Patrick, és um génio. – gozou Klair.

            - Suponho que vás fazer melhor que eu.

            - Supões bem.

            - Então vai lá. Estou mesmo a precisar de uma boa gargalhada. De certeza que o Moody te vai obrigar a fazer alguma coisa interessante.

            - Bah, provavelmente só me obriga a pentear o cabelo. Coisa que não tenciono fazer! – disse Klair perante o olhar de gozo de Patrick.

            - Simpson! – chamou Moody – Anda cá.

            Kate olhou em pânico à sua volta. Moody por si só já lhe metia medo quanto mais armado com uma super-maldição-maluca-controladora-de-mentes…

            - Posso ir eu primeiro? – perguntou Klair. Kate ficou logo com um ar mais aliviado.

            - Suponho que sim… – resmungou Moody.

            Klair levantou-se do seu lugar com um sorriso sarcástico e parou à frente do professor.

            - Pronta?

            - Yup. – respondeu ela. Klair pensou que talvez se conseguisse resistir àquela maldição como se resistia a Legilimância, Patrick já não conseguia ver nenhuma das suas memórias, talvez também se saísse naquela lição bizarra. Fixou um livro com uma capa preta que estava arrumado numa prateleira e “esvaziou” a mente, pensou em rigorosamente…nada.

            - Imperio! – exclamou Moody.

            Klair sentiu-se, de imediato, muito leve e sem preocupações. Estava feliz. Tudo à sua volta parecia estranhamente desfocado mas, sinceramente, não se importava. Deixou-se levar pela torrente de pensamentos desconexos e felizes que a assaltavam. No entanto, pouco depois, ouviu a voz de Moody.

            - Corre – disse-lhe ele.

            O primeiro impulso de Klair foi obedecer mas depois de algum tempo de reflexão (sentia o cérebro dormente) pareceu-lhe uma ideia estúpida.

            - Não me parece – respondeu ela.

            - Corre, já!

            - NÃO!

            De repente, ficou tudo novamente nítido e Klair estava, por alguma razão que lhe escapava por completo, sentada no chão.

            - Quem é o próximo? Parece que hoje só me calham espertalhões… – murmurou Moody.

            A próximo hora foi entre simplesmente sinistra e ligeiramente engraçada. Moody enfeitiçou toda a gente, pôs Jenny a cantar, Kelly fez um discurso muito longo em holandês que ninguém percebeu e Hannah dançou particularmente bem. Contudo, a melhor espectáculo foi dado, sem sombra de dúvida, por Malfoy, que imitou de forma incrivelmente realista uma galinha. Apenas Sophie conseguiu escapar-se escondendo-se no fundo da sala.

            - Ah, parece que é a tua vez, Potter… – disse Moody olhando para Harry como se tivesse guardado o melhor para o fim.

            Harry olhou em volta, já toda a gente tinha sido enfeitiçada, excepto ele (e Sophie, mas ela estava dentro de um armário por isso não contava). Já estava parado à frente do professor quando alguém bateu à porta.

            - Sim?… – perguntou Moody, mal-humorado.

            Colin Creevey, um rapaz muito pequeno do 3º ano entrou na sala com um ar muito nervoso.

            - Uhm… O Harry precisa de ir tirar umas fotos… para o Profeta Diário. Estão à espera dele… – disse Colin.

            - O Harry ainda tem mais meia hora de aula – disse Moody friamente.

            - M…mas precisam dele agora…

            - Pronto! Está bem!

            Harry pegou nas suas coisas, extremamente aliviado, e seguiu Colin.

            - Ainda bem que és campeão – disse Colin entusiasmado – Vais ganhar tudo de certeza.

            - Pois, er… obrigada Colin. – agradeceu Harry enquanto caminhavam pelos corredores estreitos. Colin até era bom rapaz, mas o seu entusiasmo excessivo podia ser muito irritante. Agora que Harry pensava nisso, ele fazia-o lembrar um esquilo hiperactivo.

            - Bem, é aqui – anunciou Colin ao chegarem à porta de uma sala algures no 2º andar. – Boa-sorte!

            - Obrigado…?

            Harry empurrou a porta de madeira e entrou na sala. Nem teve tempo para ver os restantes campeões. Ludo Bagman, o director do Departamento dos Desportos Mágicos, que, à semelhança de Colin, demonstrava interesse em todos os assuntos remotamente relacionados com Harry , cortou-lhe logo a passagem e apertou-lhe a mão efusivamente.

            - Que bom ver-te! Como estás, Harry? – perguntou ele.

            - Estou bem…

            - Óptimo…óptimo! Entusiasmado?

            - Se não se importar, gostaríamos de começar – disse Barty Crouch.

            - Oh, claro. Com certeza. Presumo que a pesagem das varinhas seja primeiro?

            - Sim – respondeu Crouch. Tinha um aspecto mais cansado e doente do que da primeira vez que Harry o vira, no banquete de inicio de ano. Por baixo dos seus olhos tinham-se instalado olheiras muito profundas e a sua pele era de uma tonalidade cinzenta.

            - Então, vamos lá, vamos lá ver essas varinhas! – exclamou um homenzinho bastante pequeno e velho que Harry reconheceu como sendo Ollivander, o homem que lhe vendera a sua varinha. Estava lá para verificar se as varinhas dos concorrentes estavam em condições de competir.

            Cedric foi o primeiro, mostrou a sua varinha a Ollivander que, por sua vez fez aparecer um bonito ramo de flores e declarou que esta se encontrava em perfeitas condições.

            - Ah! – disse Ollivander ao examinar a varinha de Krum – Presumo que esta seja do Gregorovitch.

                - Zim… – respondeu Krum com o habitual tom mal-humorado.

                - Não é bem o meu estilo, mas não deixa de ser uma excelente varinha, sempre as achei um bocado… – Ollivander deixou cair a varinha de Krum que, ao embater no chão, fez explodir um armário a alguns metros de distância – …rudes. Bem…hmm, parece estar em boas condições.  – disse ele voltando a entregar a varinha a Krum.

            A seguir a Fleur foi a vez de Harry mostrar a sua varinha a Ollivander.

            - Ahh – disse ele com entusiasmo – Lembro-me muito bem desta…

            Harry revirou os olhos, não lhe apetecia nada que o Ollivander comentasse ali, à frente de todos, o facto de a varinha dele ter exactamente o mesmo núcleo que a de Voldemort.

            - É mesmo curioso que estava varinha estivesse destinada a si, Sr. Potter…

            - Sim, sim realmente fascinante – comentou uma mulher de cabelos muito louros, unhas pintadas de cor-de-rosa choque, um casaco verde lima e uma expressão na cara que Harry conhecia bastante bem, embora não soubesse de onde. – Eu gostava de entrevistar o rapaz ainda hoje, se não se importar. Despache-se lá com isso.

            Ollivander fez uma careta e fez jorrar da ponta da varinha de Harry uma quantidade considerável de vinho, entregando-lha de seguida.  A mulher puxou imediatamente Harry para dentro de outra sala mais pequena.

            - Olá! – disse ela, puxando duas cadeiras e obrigando Harry a sentar-se numa delas – Sou a Rita Skeeter, do Profeta Diário. Importas-te que eu use uma pena de notas rápidas?

            - Não…?

            - Óptimo! – disse ela tirando da sua mala roxa uma pena verde lima que condizia perfeitamente com o casaco e um grande rolo de pergaminho. – Então diz-me, o que te levou a inscreveres-te no Torneio?

            - Eu não me inscrevi! – explicou Harry.

            - Claro que não – respondeu ela, piscando-lhe o olho enquanto a pena escrevia a uma velocidade alucinante.  – Diz-me, ainda pensas muito nos teus pais?

            - Nem por isso – mentiu Harry.

            - Ah, pois… compreendo. As memórias são muito dolorosas?

            - Não sei se sabe, mas ele morreram quando eu tinha um ano. Não me lembro de nada. Hey! – exclamou Harry depois de ler o que a pena tinha estado a escrever -  A simples lembrança da morte trágica e precoce dos meus pais não me está a deixar com os olhos verdes mergulhados em lágrimas de dor!

            - Claro que não, querido – respondeu Rita com um sorriso retorcido. – E raparigas? Há alguma que ocupe um lugar especial no teu coração. Para além da tua falecida mãe, claro…

            -  Bem… sim, há uma… – respondeu Harry sem fazer a mínima das intenções de revelar o seu nome àquela jornalista completamente demente.

            - Presumo que essa rapariga tenha um nome… – os olhos de Rita Skeeter brilhavam de expectativa. – O mundo da feitiçaria está em pulgas para saber!

            Antes que Harry se visse obrigado a revelar ao mundo da feitiçaria os seus sentimentos em relação a Jenny, Dumbledore entrou na sala.

            - Creio que já chega – disse ele  – Tenho a certeza que já tem informações suficientes para escrever um artigo completamente falso e cheio de mentiras.

            Rita sorriu ironicamente a Dumbledore e saiu da sala.

            - É melhor teres cuidado com ela – avisou ele com um sorriso – É um bocado manhosa.

            - Pois, já tinha percebido – respondeu Harry.

            Harry saiu com Dumbledore e apressou-se a juntar-se aos outros campeões.

 

Deixar uma Resposta