Capítulo XI: Segredos

Março 27, 2009

Quando finalmente saíram da aula de poções, Klair, Patrick, Kate, Harry, Hannah e Hermione foram visitar Jenny à enfermaria. Tinha a cara coberta com uma espécie de pasta amarelada e tinha um ar sinceramente infeliz.

- Aula interessante? – perguntou ela mal-humorada.

- Imensamente – respondeu Kelly – Aquele Dracô às vezes consegue serr muito desagrradável.

- Às vezes? – perguntou Harry sarcasticamente – Ele é sempre assim.

- Oh nee! Ele pode serr muito simpaticô se quiser.

- Pois, ‘tá bem, mas não viemos aqui para falar do Malfoy. Porque, com todo o respeito Kelly, ele pode ir morrer longe. – interrompeu Klair, aborrecida – Por causa daquele idiota estou mais um mês de castigo.

- Ao menos não tens pus a sair-te da cara… – lamentou-se Jenny – A sério, o Snape anda particularmente cruel. Já no outro dia ia fazendo o Neville chorar, o pobre do rapaz trocou pó de corno de bicórnio com garra de dragão moída. Só podem calcular como o Snape ficou, deve-lhe ter tirado uns 25 pontos. Aquela tosca da Helena pode fazer explodir os caldeirões que quiser que está tudo bem.

- Moody… – disse Harry, como se tivesse tido uma revelação.

- Gezondheid! – exclamou Kelly – Quê foi? – perguntou ela olhando para o ar estupefacto dos amigos. – Pensei que… oh esqueçam!

- Nunca pensei vir a dizer isto mas acho que ele assusta o Snape. – esclareceu Harry – O Moody já foi um auror…

- Sim, sim, fascinante – interrompeu Hannah – Por muito giras que sejam as vossas teorias eu tenho aulas agora e não quero chegar atrasada. Vemo-nos à hora de almoço.

Ficaram todos a ver Hannah a sair, abanando a sua espessa cabeleira preta, até que Klair falou.

- Já não temos mais aulas esta manhã, pois não? – perguntou ela dirigindo-se a Patrick.

- Não. – respondeu ele.

- Nem nós – afirmou Hermione.

- Nós também não – disse Kate.

Klair coçou a cabeça, confusa. Eles eram todos da mesma turma, tinham todos aulas às mesmas horas, excepto às terças e quintas (cada equipa tinha duas ou três aulas suplementares em que não se misturavam com outras equipas), e hoje era segunda.

- Então… mas ela não ia com vocês para a sala comum? – perguntou Klair apontando para Jenny, Harry e Hermione.

- Não… pensei que ela fosse com elas – respondeu Jenny apontando para Kate e Kelly.

- Mas nós sempre achámos que ela era uma Ravenclaw. – retorquiu Kate encolhendo os ombros.

- Mas se ela não é uma Huflepuff, nem uma Ravenclaw, nem uma Gryffindor… – começou Harry.

- Quer dizer que ela só pode ser uma Slytherin! – completou Kate. – Mas, e então e o brasão no pulôver dela? Não era uma serpente, pois não? Como é que ela pode ser um Slytherin?

- Era o brasão de Hogwarts – esclareceu Jenny – Parecia ter sido cozido à mão.

Olharam todos uns para os outros. Hannah nunca tinha dito que era uma Slytherin mas era verdade que nunca lhe tinham perguntado. Não era costume os Gryffindores darem-se bem com Slytherins mas, na verdade, se eles continuassem amigos, não seria inédito. Mas seria Hannah de confiança? Talvez só andasse com eles por interesse, para poder contar todas as conversas que tinham à Helena. Porque se tinha dado ao trabalho de esconder a que equipa pertencia?

Entretanto, na sala comum dos Slytherins, Hannah Ivanov pontapeava com toda a sua força uma parede.

-“ Que estúpida, estúpida estúpida estúpida estúpida… – pensava ela incessantemente – “ Estraguei tudo! Eles nunca mais me vão querer falar…oh… e se eles dizem ao Cedric? O mais provável é ele me deixar, ele não vai querer namorar com uma Slytherin e eles não vão querer andar mais comigo, vão-me odiar”.

Hannah pontapeou a parede com mais força. A verdade é que nunca se sentira muito à vontade naquela equipa pois os Slytherins eram pessoas horríveis e também nunca gostaram muito dela. Quando foi seleccionada, o chapéu seleccionador não demorou assim muito tempo a decidir, dez segundos depois de ter sido colocado na sua cabeça já estava a gritar Slytherin. Hannah ficara desolada, não fazia sentido. Ela vinha de uma família de Ravenclaws. O seu pai nascera na Albânia mas vivera a maior parte da sua vida em Londres, onde andou em Hogwarts e conheceu a mãe de Hannah, também uma Ravenclaw. Só voltava à terra natal nas férias, para visitar a família.

Hannah olhou para o chão de pedra escura e decidiu contar a Cedric, antes que ele descobrisse por outra pessoa. Sentia-se como se tivesse algo podre dentro de si, como uma doença. Andou pelos corredores e desceu inúmeros lanços de escadas até chegar à cave, à sala comum dos Huflepuff.

- Olá Hannah! – cumprimentou-a Gretta, uma rapariga com longas tranças louras – Estás à procura do Cedric? Acho que ela está na biblioteca.

- Ah… ok, obrigada. – agradeceu Hannah tristemente.

- Está tudo bem? – perguntou Gretta com um ar preocupado.

- Oh, sim. Claro – respondeu Hannah forçando um sorriso.

- Hmm, ok. Mas se calhar devias ir à enfermaria, não estás com muito bom aspecto.

- Estou óptima, a sério. Vá, adeus.

Hannah arrastou-se até à biblioteca, a simpatia de Gretta estava a fazê-la sentir-se culpada. Foi encontrar Cedric a fazer os trabalhos de casa com um grupo de amigos. Assim que a viu, levantou-se e deu-lhe um beijo.

- Cedric – disse ela afastando-o – Preciso de falar contigo.

- Sobre o quê? – perguntou ele, sacudindo o cabelo castanho claro.

- Bem… sobre… – Hannah hesitou. Céus, como ele era irresistível. Era tão mais fácil dizer-lhe aquilo se ele dissesse alguma coisa incrivelmente insensível ou desagradável. Mas não, ali estava ele, prefeito como sempre. Hannah respirou fundo, fechou os olhos e decidiu despachar já aquilo – eusouumaslyhterin.

- O quê? – perguntou Cedric sorrindo, exibindo os seus dentes brancos e completamente alinhados. – Fala mais devagar.

- Eu sou uma Slytherin…

Hannah ficou à espera que ele dissesse que já não queria andar com ela mas em vez disso ele afastou-lhe o cabelo da cara de disse-lhe ao ouvido:

- Eu já sabia.

- Hm?! O quê?! Como?

- A Heather disse-me, ela ouviu o Goyle dizer a não sei quem que era uma vergonha ter-te na equipa. Mas não te preocupes, eu pedi-lhe para não dizer a ninguém, conheço a Heather desde os 6 anos e ela não é nada desbocada.

- Mas.. então… porque é que não me disseste nada?!

- Porque fizeste um trabalho excelente a esconder esse facto (quer dizer… somos amigos desde o teu 2º ano e nunca suspeitei de nada). Achei que ias ficar toda constrangida quando descobrisses que eu sabia por isso não te disse nada.

Hannah olhou Cedric nos olhos. Ele era, muito provavelmente, a melhor coisa que lhe tinha acontecido. Abraçou-o com força e começou a soluçar.

- Elas descobriram! – disse ela – confundi os horários e disse-lhes que tinha aulas agora.

- Achas mesmo que elas se vão importar? – perguntou-lhe Cedric limpando-lhe as lágrimas – Tu não és como os outros Slytherins,. Vai falar com elas, vais ver que elas ainda são tuas amigas.

- Obrigada, Cedric. – agradeceu Hannah, sorrindo. – Era mesmo isso que eu precisava de ouvir.

Beijou Cedric e saiu da biblioteca, sentindo-se mais aliviada. Encontrou os amigos à porta da enfermaria, a cara de Jenny ainda apresentava algumas borbulhas mas eram visivelmente mais pequenas e já não pulsavam de forma sinistra.

- Olá! – cumprimentou-os Hannah – Ora..hmm, presumo que já sabem que eu sou uma Slytherin…

- Presumes bem – respondeu Klair sarcasticamente. – Achaste mesmo que não nos podias contar?

- Pois, eu peço desculpa. Eu achei que se soubessem não iam querer andar comigo.

- Porque é que haveríamos de fazer uma coisa dessas? – perguntou Kate estupefacta – Continuamos a falar à Kelly e ela gosta do Malfoy.

- Hey! – protestou Kelly – Eu não gosto dele!

- Pois e eu sou um hipogrifo bêbado - comentou Kate.

- De qualquer maneira… – interrompeu Patrick – nós só ficamos um bocado desconfiados por não nos teres contado. Se nos tivesses contado logo não nos importaríamos mas assim até parecia que andavas a fornecer informações secretas à Helena ou coisa do género.

- Credo! Claro que não! Só não vos disse nada porque tenho um bocado de vergonha de ser Slytherin. Tenho a certeza que o chapéu seleccionador se enganou…

- Não é possível – disse Klair imediatamente – Artefactos poeirentos nunca falham. Alguém da tua família devia ser um Slytherin, às vezes é hereditário.

- Não, ninguém da minha família eram Slytherin. Para além de ter “sangue puro”, não percebo porque é estou nesta maldita equipa. – queixou-se Hannah.

- Então não sei – disse Klair encolhendo os ombros – Se calhar apanhaste o chapéu seleccionador de mau humor.

Hannah riu-se.

- Pois, é capaz. Vá, vamos almoçar e dizer mal do Snape.

- Assim já falamos! – disse Kate, sorrindo – Só espero não ter que usar aquele pergaminho nojento.

- Por falar nisso – disse Klair apalpando os bolsos e vasculhando no interior da mala – acho que deixei a minha adaga de prata na sala de poções. Muito bem, quem é o sortudo que se oferece para a ir buscar por mim?

Olharam todos uns para os outros. Apetecia-lhes tanto voltar à sala de poções como arrancar um dente com um alicate ferrugento.

- Patrick? – perguntou Klair – Vais lá por mim? Sim? Se faz favor? Vá lá…?

- Sabes Klair, eu…hmm… sou hipoglicémico, se não for almoçar já, posso morrer. Não queres que eu morra, pois não? Ia ser muito aborrecido.

- Está bem! Eu vou sozinha! Mas se eu não voltar dentro de meia hora mandem alguém ir buscar o meu corpo.

- Pronto! – cedeu Kate – Eu vou contigo!

- Obrigada Kate. Vocês deviam ter todos vergonha! – disse Klair com um tom de voz falsamente ofendido.

- Eu e o Fred já arranjámos alcatrão suficiente para cobrir o Filch. – anunciou Kate enquanto ela e Klair viram as costas aos amigos e desciam as escadas em direcção às masmorras.

- Boa!… – disse Klair distraída.

- Achas que também vou ter que usar aquele pergaminho? – insistiu Kate, ligeiramente preocupada.

- Sinceramente não sei, mas duvido. – respondeu Klair, enquanto passavam por uma armadura que lhes tentava acertar com a sua lança. – É aqui – disse Klair puxando Kate para uma sala ao fundo do corredor principal das masmorras.

A pesada porta de madeira estava aberta, Klair bateu levemente mas ninguém respondeu.

- Com sorte ele não está cá – disse Klair esperançosa.

- Anda lá! – disse Kate, empurrando Klair para dentro da sala.

Felizmente, estava completamente vazia. A adaga de Klair brilhava em cima de uma mesa, no fundo da sala.

- Sabes – começou Klair ligeiramente orgulhosa – hoje a minha poção dos mortos estava tão prefeita que o Snape não conseguiu dizer nada mal.

- Fascinante… – comentou Kate – despacha-te lá!

- Mas é que foi mesmo engraçado, ficou ali a olhar para a poção à espera de encontrar alguma coisa de errado, mas não conseguiu.

- Shiu! – disse Kate repentinamente.

- Pronto, está bem. Já percebi, queres que eu me cale com as poções.

- Não é isso! Acho que ouvi passos.

Klair calou-se e pôs-se à escuta. Kate tinha razão, vinha aí alguém. Aliás, pareciam ser duas pessoas a discutir e quase de certeza que se estavam a dirigir para ali. Klair pegou no braço de Kate e esconderam-se atrás de uma mesa.

- Ele vai voltar – disse a voz de Karkaroff num tom de alarme.

- Já te avisei para estares calado – desta vez foi a voz gelada de Snape, que ecoou nas paredes das masmorras.

- Está a ficar mais nítida… – insistiu Karkaroff arregaçando a manga esquerda.

Klair tentou ver o que ele estava a mostrar a Snape mas, infelizmente, uma das pernas da mesa estava a bloquear-lhe a vista para a sala.

- Compreendo a tua preocupação, Karkaroff – rosnou Snape – mas se te sentes compelido a abandonar o país então fá-lo. Sê um cobarde à vontade.

Klair observou Snape percorrer a sala com impaciência e, de repente, o fascínio inicial que sentia por ele voltou. Klair abanou a cabeça com força. Não! Ela odiava-o, ou pelo menos tentava. Desde a primeira aula de poções que Klair tentava reprimir o que sentia por Snape, mas sem sucesso. Não conseguira obrigar-se a odiá-lo. Nunca conseguira deixar de ficar feliz quando ele não conseguia encontrar nada de errado para dizer sobre as poções dela, nunca conseguira evitar achá-lo inacreditavelmente interessante e ,por muito que dissesse a si própria que só queria aprender Legilimância por vingança, isso nunca se tornaria verdade.

- Klair – sussurrou Kate – estás bem?

Klair demorou um bocado a perceber que Kate estava a falar com ela. Abanou a cabeça e voltou à realidade.

- Claro que sim – respondeu ela.

- Acho que já se foram embora. – afirmou Kate olhando por cima da secretária.

Klair levantou-se e sacudiu a terra do uniforme.

- Mas que conversa era aquela? – perguntou Kate.

- Não faço a mínima ideia – confessou Klair – Mas tenciono descobrir.

Uma Resposta para “Capítulo XI: Segredos”

  1. Madame Sophie disse

    lol sim senhora gostei gostei
    ;) bjs*

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