Capítulo IX: O Cálice de Fogo
Fevereiro 8, 2009
A verdade é que nem Klair tinha grandes intenções de cumprir a sua promessa de continuar noutro dia as aulas de Legilimância nem Harry conseguiu falar com Jenny. Tendo sido constantemente interrompido pelas mais variadas razões sempre que tentava durante as semanas que se seguiram.
Assim que os castigos acabaram para Klair, deixou de sentir o impulso vingativo que tinha antes. Se bem que tivesse apanhado mais duas semanas de punições antes de chegarem a meio de Outubro mas, afinal, agora com a sua pena limada, já nem metade dos efeitos do pergaminho sentia, por isso, se não fossem as insistências de Patrick, tinha desistido por completo da ideia de praticar Legilimância. As coisa tinham começado a evoluir a uma velocidade alucinante; rapidamente, Kathryn, Hannah, Kelly, Sophie e Hermione tornaram-se as melhores amigas de Klair e Jenny assim como Patrick e, obviamente, Harry.
Como planeado, no dia antes do Halloween, chegaram as academias de Durmstrang e Beauxbatons. Os alunos de Durmstrang eram maioritariamente rapazes entroncados (entre eles, incluía-se Viktor Krum, um famosíssimo jogador de Quidditch) de aspecto carrancudo e cujo uniforme era forrado de pêlo do que parecia ser raposa do árctico (selvagens! – manifestou-se Klair assim que os viu entrar pelo salão a dentro), tinham vindo num barco muito escuro, pelo lago nos jardins da escola, que parecia um navio assombrado. Pareciam ser do Norte da Europa e tinham o director com um aspecto sombrio e ameaçador, chamava-se Igor Karkaroff. Tinha dentes amarelados e um sorriso permanente que ficava entre o sínico e o sinistro.
Por outro lado, os alunos da academia de Beauxbatons eram uns “empertigados demasiado sensíveis” (como Kate lhes chamou), provavelmente do sul de França (embora ninguém soubesse ao certo de onde vinham), o seu meio de transporte era, nem mais, nem menos, que uma enorme carruagem puxada por cavalos alados. A directora era uma mulher gigantesca com cerca de três metros de altura e um aspecto ameaçador a quem os alunos chamavam Madame Maxime.
***
No dia seguinte, ninguém se conseguia concentrar nas aulas. Os professores desistiram de tentar ensinar o que quer que fosse e se se falasse em trabalhos de casa, alguém acabaria por perder um olho. Na noite anterior, Dumbledore tinha explicado que todos os que quisessem participar no Torneio dos Três Feiticeiros tinham de escrever o seu nome num pedaço de pergaminho e pô-lo dentro dum cálice de onde saíam grandes chamas azuladas, que tinha sido colocado no meio do salão chamado O Cálice de Fogo. Era um dispositivo muito antigo que servia como juiz imparcial na escolha dos campeões da escola. À sua volta, o próprio Dumbledore, tinha desenhado uma linha de idade, apesar de muitos protestos, para que nenhum aluno menor de idade pudesse inscrever-se no torneio. Fred e Geoge Weasley ainda tentaram passá-la usando uma poção de envelhecimento mas escusado será dizer que a tentativa foi mal sucedida e acabou com os gémeos na enfermaria com longas barbas brancas e risos incontroláveis da parte de Sophie.
Então, nessa noite, o cálice “cuspiria” o nome do campeão de cada escola. E, inevitavelmente, teriam que competir. Por volta das nove, depois do jantar, Jenny e Klair desceram juntas até ao salão.
- Credo, isto está mesmo cheio – comentou Jenny enquanto empurrava alunos do 1º ano para encontrar um lugar.
Acabaram por se instalar ao pé de Patrick, Kate, Sophie e Kelly, com Harry, Ron, Hannah e os gémeos Weasley logo atrás de si, já sem qualquer vestígio de barba. Ouvia-se um burburinho intenso de entusiasmo, que apenas se intensificou quando Dumbledore entrou no Salão.
- SILÊNCIO – Gritou ele. Imediatamente, o barulho cessou. – Boa noite – retomou ele com uma calma renovada – Hoje faz-se história. 400 anos passaram desde o último Torneio dos Três Feiticeiros e agora, depois de muito esforço por parte do ministério da magia, as três escolas de magia mais prestigiadas no mundo voltam a reunir-se para disputar o grande prémio…
Seguiram-se mais umas frases inspiradoras por parte de Dumbledore que incluíam: “Ao vencedor deste desafio, aguarda glória eterna e fortuna incalculável” e ainda “Aos que se inscreveram de ânimo leve, cuidado! O cálice de fogo representa um contracto impossível de quebrar, terão que participar obrigatoriamente!” Só quando se começaram a ouvir protestos por partes dos alunos é que Dumbledore começou a avançar para o centro do salão, onde estava o Cálice.
- Pronto – disse ele com um sorriso olhando para a antecipação estampada no rosto dos alunos – Vou então revelar os campeões.
Dumbledore colocou-se ao lado do cálice e esticou o braço, quase imediatamente as chamas azuladas tornaram-se vermelhas e um pequeno pedaço de pergaminho voou em direcção à mão de Dumbledore.
- O campeão de Durmstrang é… Viktor Krum!
A sala explodiu em aplausos, Krum levantou-se e dirigiu-se para a sala onde todos os campeões se deviam dirigir, que ficava atrás da mesa dos professores. A seguir, as chamas que saiam do cálice voltaram a ficar vermelhas e um novo pecado de pergaminho saiu.
- O campeão de Beauxbatons é… Fleur Delacour!
Ao contrário dos alunos de Durmstrang, muitos alunos de Beauxbatons em vez de aplaudir Fleur (uma rapariga com aspecto de Veela que, aparentemente, irritava profundamente Kelly) romperam em lágrimas. E, pela terceira vez, as chamas adoptaram uma tonalidade escarlate e um pedaço de pergaminho voou de dentro do cálice.
- Uhh! É agora! – disse Hannah com entusiasmo.
- Meh… – comentou Sophie – de certeza que é o Cedric “lindinho”.
- Não sejas assim! – censurou Kate – Ele é um óptimo feiticeiro.
- Até é capaz, mas…
Contudo, Sophia não conseguiu acabar o raciocínio pois Dumbledore tinha acabado de desdobrar o pedaço de pergaminho e preparava-se para ler o nome do campeão de Hogwarts.
- E, por último, Cedric Diggory, como campeão de Hogwarts!
Nos segundos seguintes, os Hufflepuffs fizeram uma algazarra tal que parecia que Hogwarts estava a ser invadida por bruxas carpideiras. Cedric levantou-se do seu lugar e começou a caminhar até à sala por onde Fleur e Krum tinham desaparecido pouco antes de o seu nome ser chamado. No entanto, ao passar por Hannah estacou, como se não tivesse muito bem a certeza do que ia fazer a seguir. Olhou para ela, que ainda estava a bater palmas efusivamente com um enorme sorriso na cara e, sem mais nem menos, pondo-lhe a mão à volta da cintura, beijou-a. Foi um beijo demorado e intenso, acompanhado por apupos da parte dos Slytherin e assobios dos Hufflepuff. Quando finalmente se separaram e Cedirc desapareceu pela porta de madeira no fundo da sala, o barulho começou a diminuir.
- Desde quando?! – perguntou Klair estupefacta.
- Desde ontem – respondeu Hannah com um sorriso enquanto se sentava.
- E dizer-nos alguma coisa, não?! – quis saber Jenny indignada.
Porém, não conseguiram ouvir a explicação de Hannah pois Dumbledore tinha recomeçado a falar.
- Agora que temos os três campeões… – no entanto, algo não estava bem, o cálice voltara a agitar-se e as chamas ganharam, de novo, uma tonalidade avermelhada. Um burburinho curioso envolveu a sala e Dumbledore aproximou-se do cálice, que lançava agora outro pedaço de pergaminho para o ar. O velho director apanhou e depois de o ler, com uma expressão de puro choque no rosto, chamou:
- Harry Potter!
O burburinho aumentou significativamente de volume, agora parecia que o salão estava cheia de abelhas zangadas. Harry deixou-se ficar sentado no seu lugar, completamente petrificado; aquilo não lhe podia estar a acontecer, devia haver algum engano, ele não tinha posto o nome dele no cálice e mesmo se quisesse não conseguiria.
- HARRY POTTER! – voltou a chamar Dumbledore.
- Vai lá – sussurrou Jenny a Harry. – Boa sorte – desejou-lhe ela enquanto ele caminhava até à porta de madeira.
Mas quanto mais andava mais longe lhe parecia a porta e, ainda por cima, ao zumbido insuportável tinham-se juntado comentários desagradáveis da parte dos Slytherin. Depois de imenso tempo a andar (ou pelos menos assim pareceu a Harry), finalmente chegou à sala dos campeões: tinha uma lareira numa das paredes onde crepitavam alegremente labaredas, haviam algumas estantes vergadas sob o peso dos inúmeros livros que suportavam e algumas secretárias cobertas com objectos curiosos, alguns dos quais assobiavam insistentemente. Assim que Harry entrou, Fleur, que estava a falar com Cedric e Krum, sacudiu a sua longa cabeleira loura e perguntou-lhe com um tom de superioridade:
- Quê eztáz aqui a fazerr, rapazinho? Querem-nôs no salon outrra vêz?
- Hmm, não. – respondeu-lhe Harry, indignado. “Rapazinho”?! Afinal ela não era muito mais velha que ele.
Antes que Harry conseguisse dizer o que pensava, Dumbledore entrou de rompante na sala seguido pela Professora Macgonagall, Barty Crouch, Madame Maxie, Karkaroff e Snape.
- Harry, puseste o teu nome no cálice?! – perguntou-lhe Dumbledore de imediato.
- Não! – respondeu ele com sinceridade.
- Pediste a um aluno mais velho para por o teu nome no cálice por ti?
- Não!
- É mais que claro que ele está a mentir – comentou Snape com uma voz trocista. – o Potter sempre demonstrou uma tendência para quebrar as regras.
- Chega Severus – disse Dumbledore num tom rígido.
- É obvio que ele não pode competir! – manifestou-se Karkaroff – Assim Hogwarts tem mais hipóteses de ganhar.
- Istô é lamentável! – disse Madame Maxime – Se eu sôubessse tinha trrrazidô muito mais alunos. Sintô vontade de irrr já embôrra.
- Não podem! – guinchou Barty Crouch – o cálice de fogo constitui um contrato mágico inquebrável, eles têm todos que competir.
- Então vamos submeter todos os nomes dos nossos alunos outra vez até sair um segundo nome – impôs Karkaroff.
- O cálice apagou-se, só se reacende daqui a quatro anos – disse a voz de Moody vinda de uma sombra, aparentemente ninguém o tinha visto entrar – o jovem Potter não tem outra opção senão competir, para além disso era preciso um feiticeiro particularmente poderoso para quebrar a linha de idade que o Dumbledore desenhou, nem o Potter nem nenhum aluno desta escola conseguiria tal coisa sozinho.
- Sozinho, dizes tu? – perguntou-lhe Dumbledore fixando o vazio.
- Sim, foi o que eu disse. – retorquiu Moody com impaciência.
- Severus – disse Dumbledore distraidamente – traz-me a Klair Tullman…
- A Tullman? – perguntou ele estupefacto.
- De certo sabes quem é – respondeu-lhe Dumbledore fixando o vazio com uma expressão curiosa – Puseste-a de castigo quase todos os dias desde o início do ano… Bem, traz a Klair Tullman e o Patrick Reeves, ah e, já agora, também a Jenny Blomwood.
- Sim, senhor – respondeu Snape e desapareceu pela porta de madeira até ao salão.
- Tullman, Blomwood!
- O que é que eu fiz agora? – perguntou Klair ao ouvir o seu nome.
- Não te armes em esperta – retorquiu Snape – o Director quer-vos ver às duas.
- A mim também? – perguntou Jenny incrédula.
- Tens algum problema auditivo ou só não consegues compreender o que eu digo?
- Pronto, estamos a ir. – acedeu Klair.
Jenny e Klair caminharam sozinhas até à porta, Jenny ia rodar a maçaneta quando Klair a interrompeu.
- Olha! – murmurou-lhe ela apontando para Patrick, Snape também o tinha ido buscar.
- Porque é que achas que o Dumbledore quer falar connosco? – perguntou Jenny.
- Sei lá, só espero que ele não ache que temos alguma coisa a ver com isto. – disse Klair esperançosa olhando para uma rapariga dos Slytherin chamada Pansy Parkinson que esta a apontar para elas e a rir-se ruidosamente.
- Pobre Harry… – lamentou-se Jenny – Que problema tão estúpido, é o que dá, não se devem usar artefactos mágicos centenários.
- Ah não, o problema não foi do cálice. Alguém inscreveu o Harry neste torneio e de certeza que não lhe quer bem.
- Como é que podes ter a certeza?
- Artefactos centenários empoeirados nuncafalham, Jenny. – respondeu-lhe Klair enquanto rodava a maçaneta pois Patrick aproximava-se rapidamente com o mesmo ar confuso que elas. – Depois de vocês – disse Klair deixando Jenny e Patrick passarem-lhe à frente.
- Ah! – disse Dumbledore assim que todos entraram – Que bom ver-vos a todos. Bem, acontece que dada a circunstancia que é, muito claramente, de origem delicada, tenho algumas perguntas a fazer-vos.
- Dumblydôrr! – protestou Madame Maxime – Que têm eztaz raparigas a verr com o lamentável sucedidôo?
Dumbledore limitou-se a levantar uma mão para a calar a prosseguiu.
- Acontece que vocês são os três são alunos extremamente dotados e gostaria de saber a vossa opinião sobre tudo isto.
- Com todo o respeito – começou Patrick – é muito claro que não estamos aqui porque simplesmente quer saber a nossa opinião.
- É que, se quisesse – interrompeu Klair – de certeza que a Hermione Granger, que é tão dotada como nós, também tem uma opinião válida.
- Que atrevimento… – cuspiu Karkaroff.
- Ora, isso é muito perspicaz da vossa parte – respondeu Dumbledore ignorando por completo Karkaroff. – mas, já que aqui estamos, façam a vontade a um velho louco.
- Bem – começou Patrick com a sua energia habitual de quem tem muito para dizer e com um brilho invulgar nos olhos – depois de excluir a hipótese de o cálice ter algum problema, cheguei à conclusão de que o nome do Harry foi introduzido no cálice por um feiticeiro particularmente poderoso.
- Fascinante! – disse Dumbledore – E como é que esse hipotético feiticeiro conseguiria fazer o nome Harry sair do cálice com todas as certezas?
- Para isso teria que usar um feitiço Confundus e inscrever o Harry no torneio como o único aluno de uma quarta escola.
- Simplesmente brilhante! – exclamou Dumbledore com aparente sinceridade – Isso resultaria de certeza. Quer acrescentar alguma coisa, Miss Blomwood – perguntou ele virando-se para Jenny que apresentava um olhar muito confuso.
- Hmm, não…? – respondeu ela num murmúrio.
- Sinceramente, Miss Blomwood, não é que eu duvide das suas capacidades intelectuais até porque sei que é extremamente competente, mas foi precisamente o que eu achei que a menina ia dizer.
- Então porque é que chamou? – perguntou-lhe Jenny.
- Toda a gente tem as suas excentricidade – respondeu Dumbledore com simplicidade. – Agora – continuou ele, virando-se para Klair e Patrick - só vos queria perguntar mais duas coisinhas…
- Se éramos capazes de o fazer? – antecipou-se Patrick.
- Sem a menor das dúvidas – completou Klair com um sorriso enigmático. – Agora, se o fizemos efectivamente, é uma pergunta completamente diferente.
- E fizeram? – perguntou Dumbledore com uma curiosidade quase infantil – Talvez por mero interesse experimental?
- Não. – respondeu Patrick num encolher de ombros.
- Não temos muito tempo livre, sabe como é, muitos trabalhos de casa e ainda por cima agora tenho detenções semana sim semana não, por isso mesmo se quiséssemos não tínhamos tempo e não íamos pôr, de certeza, o nome do Harry no cálice. Sinceramente, acho que ele já tem problemas que cheguem.
- Não podia concordar mais consigo Miss Tullman. – disse Dumbledore com um sorriso amável – Podem ir, mas receio que o Harry tenha que ficar. Boa noite.
- Boa noite, professor – despediram-se todos.
- O que foi aquilo Dumbledore?! – perguntou Karkaroff depois da porta de madeira se fechar.
- Aquilo – disse ele com um tom de tristeza na voz – foi a confirmação dos meus piores receios.
Lamento informá-la, mas só irei ler este pequeno pedaço de literatura no dia, vá…amanhã!
Desde já peço imensa desculpa se a fiz, de algum modo, ficar fula comigo.
Obrigado. ^^
Quais são os piores receios?! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah
A curiosidade está a dar cabo de mim!..xP